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twins

Gostaria de começar esse pequeno texto citando Into the Wild e dizer que a felicidade só é verdadeira quando compartilhada. Poder dividir esse momento com um grande amigo como o Caleb tornou algo importante pra mim ainda mais especial.

Voltando um pouco no tempo, mais especificamente no prime do Red Hook Criterium, a parceria RHC e Specialized estava fechada e foi ali que esse modelo, a Allez Track, ganhou vida. Agora, meu modelo favorito de bike possuía uma versão de criterium. Que eu me lembre, em 2018 ou 2019 essas bikes começaram a aparecer aqui no Brasil, e um dream build em cima de um desses framesets finalmente se tornava viável.

Enfim chega 2024 e com ele a inesperada possibilidade de comprarmos bikes idênticas e monta-las ao mesmo tempo.

Gosto muito da forma como cada uma dessas bikes expressa o dono. A do Caleb possui uma linha rica em detalhes minuciosos, as cores são mais presentes aqui. É uma bike muito mais apresentável pra se tomar um espresso numa cafeteria de Portland ou fazer rolling hills nas íngremes ruas de São Francisco.

A minha é a clean girl. Básica, mas ready to race. Minhas referências são, com certeza, as Allez do RHC, mas sem as indecentes CLX 64 com os cubos DT de pista. Apesar disso, algumas regras eram claras desde o início, o pedivela Dura-Ace e a mesa SL eram inegociáveis. Fui muito relutante em abrir mão de um selim Selle Italia ou San Marco, mas o Phenom da Specialized conversa muito bem com o build. Slam that stem.

Não quero usar suportes de caramanhola. O pedal Ultegra não dará lugar pra nenhum outro e os pneus Turbo Cotton pretos do Sagan serão usados até a lona. Nenhum adesivo, a não ser o da Raw. Nem sempre sapatilhas são usadas, mas meias brancas são quase uma necessidade. 49×15.

Acredito que eu possa ter me materializado nessa bike. Costumo dizer que a experiência de andar em uma fixa é a mais crua e fundamental que se pode ter em cima de uma bicicleta, a base de tudo. Essa Allez é a expressão do que eu sinto quando explico pra alguém o que é bike pra mim: preto no branco, simplicidade, o básico muito bem feito.

Essa é a bike de rodar pelo centro tarde da noite ouvindo Crystal Castles. É a bike de almoçar no sábado à tarde ou mesmo a bike perfeita pra tomar um sorvete longe de casa.

Pra quem é de Curitiba talvez saiba da minha referência, mas um dos meus rolês favoritos é descer toda a Sete de Setembro e ir até o começo da Visconde de Guarapuava, embaixo do viaduto, à noite. Uma descida à sua frente, as luzes vermelhas dos carros e muitos semáforos. Tarde da noite, embalado por uma brisa fresca de Curitiba, esse é o melhor percurso para desfrutar da bike como essa, absolute full gas.

Outro conceito no qual me peguei pensando várias vezes é o de uma Forever Bike. O que torna uma bike memorável pro dono são as memórias que ela traz, os sentimentos que ela provoca. Quero manter essa bike pra sempre, quero colocar nela mais de mim e buscar nela nostalgia. Essa é, com toda certeza, a minha forever bike.

Aos poucos vou entendendo o que funciona pra mim, pra essa bike e pra esse layout base que é o frameset. Mudamos, assim como nossas referências evoluem. Possivelmente muitos outros setups virão, melhores ou nem tão melhores assim. Por esse motivo, não teremos bikechecks dessa vez.

Caleb, mais uma vez, muito obrigado por compartilhar comigo essa experiência. Você é importante pra mim.

Escrevi esse texto ouvindo Crystal Castles.

Heitor Oliveira